A luxação do quadril é a saída da cabeça do fêmur do encaixe na pelve, com dor intensa e incapacidade de mover a perna. Ocorre após trauma forte no quadril natural ou, em quem tem prótese, por movimentos extremos, fraqueza muscular ou posicionamento dos componentes. É urgência: nunca tente recolocar em casa; a redução é feita no hospital, e luxações repetidas podem exigir nova cirurgia.
A luxação do quadril acontece quando a cabeça do fêmur sai da posição em que fica encaixada na pelve. Nesse momento, a dor é intensa e mover a perna pode se tornar muito difícil.
Esse deslocamento pode ocorrer em um quadril natural depois de um trauma importante. Quem já passou por uma cirurgia para colocação de prótese também pode apresentar o problema.
Apesar de os dois quadros receberem o nome de luxação, as causas e a investigação não são exatamente as mesmas. O ponto em comum é a necessidade de atendimento rápido.
O que acontece quando o quadril sai do lugar?
Quando o quadril luxa, a cabeça do fêmur deixa a cavidade da pelve onde normalmente permanece encaixada.
A articulação perde sua posição habitual, o que explica a dor intensa e a dificuldade para movimentar a perna.
Em uma articulação natural, os ligamentos, músculos e o próprio formato dos ossos oferecem bastante estabilidade.
Não é tão fácil deslocar um quadril saudável durante uma atividade comum.
Geralmente existe um trauma de força considerável por trás da lesão.
O que pode provocar uma luxação do quadril?
Acidentes de trânsito estão entre as situações mais conhecidas.
Um impacto forte no joelho, por exemplo, pode transmitir energia ao longo do fêmur e empurrar sua cabeça para fora do acetábulo.
Também podem estar envolvidos:
- Quedas de alturas maiores;
- Colisões durante práticas esportivas;
- Acidentes com motocicleta;
- Traumas intensos sobre a pelve ou a perna.
Nesses casos, não basta olhar apenas para o deslocamento.
O impacto que tira o quadril do lugar pode causar outras lesões no mesmo momento, onde ossos, cartilagem e nervos próximos também podem ser atingidos.
Os exames de imagem ajudam a identificar esses danos e mostram se existe alguma alteração que precise de cuidado específico.
O que significa luxação posterior do quadril?
A luxação posterior do quadril recebe esse nome porque a cabeça do fêmur se desloca para trás do acetábulo.
É uma apresentação bastante associada a traumas de grande energia.
A perna pode ficar encurtada e rodada para dentro, e a pessoa tem dificuldade para mudar essa posição por causa da dor e do bloqueio do movimento.
O médico avalia também a circulação e a sensibilidade do membro, já que estruturas próximas podem ser atingidas pelo trauma.
Radiografias são os primeiros exames solicitados.
Dependendo do caso, a tomografia ajuda a enxergar melhor possíveis fraturas, pequenos fragmentos ósseos e alterações na superfície da articulação.
Existe também a luxação anterior. Nela, a cabeça do fêmur se desloca em outra direção e a posição do membro pode ser diferente.
Quais sintomas podem indicar que o quadril luxou?
A dor geralmente começa de maneira abrupta.
Após um acidente, muitas pessoas percebem que não conseguem apoiar a perna ou encontrar uma posição confortável.
O quadro pode apresentar:
- Dor intensa no quadril ou na virilha;
- Incapacidade para caminhar;
- Dificuldade importante para mover a perna;
- Posição incomum do membro;
- Sensação de que algo saiu do lugar;
- Diferença aparente entre o comprimento das pernas;
- Formigamento ou perda de sensibilidade.
Nem todos esses sinais aparecem juntos.
Quando existe uma prótese, o paciente também pode perceber um estalo ou uma mudança repentina na posição da perna.
O que chama atenção é a combinação de dor forte com perda súbita da função do quadril.
Luxação no quadril precisa de atendimento de urgência?
Sim. Uma luxação no quadril não é uma lesão para observar em casa durante algumas horas esperando melhora.
Há uma preocupação especial com o suprimento de sangue da cabeça do fêmur. O trauma também pode lesionar nervos, cartilagem e estruturas ósseas.
Quanto antes a articulação for avaliada, mais cedo a equipe consegue definir a maneira adequada de recolocá-la em sua posição.
Quem sofreu um acidente deve evitar apoiar o peso na perna ou insistir em movimentos para testar o quadril.
Também não é recomendado tentar empurrar, puxar ou girar o membro.
Como o quadril volta para o lugar?
O procedimento usado para reposicionar a articulação é chamado de redução.
Em muitos pacientes, é possível fazer uma redução fechada. Nesse caso, o quadril é reposicionado por meio de manobras específicas, sem necessidade de abrir a articulação.
Parece algo simples quando descrito em poucas palavras, mas não é.
Os músculos ao redor do quadril são fortes e podem ficar bastante contraídos depois da lesão. A própria dor dificulta qualquer tentativa de movimentação.
Por esse motivo, a redução geralmente é feita com sedação ou algum tipo de anestesia.
Assim, é possível relaxar a musculatura e a equipe realizar as manobras de maneira controlada.
O que é avaliado depois da redução?
Recolocar o fêmur no acetábulo não encerra a investigação.
Depois do procedimento, novas imagens podem ser solicitadas para observar o encaixe e procurar alterações que não estavam claras antes.
O médico também verifica se o quadril permanece estável.
Em um trauma mais complexo, pode haver pequenos fragmentos dentro da articulação ou uma fratura que precisa de tratamento específico.
Quando a cirurgia pode ser necessária após um trauma?
Nem toda luxação traumática termina em cirurgia. Há pacientes em que a redução fechada devolve o quadril ao lugar e a articulação permanece estável.
A situação muda quando existe alguma dificuldade para obter um bom encaixe.
A cirurgia pode entrar no planejamento quando:
- A redução fechada não funciona.
- Existe uma fratura relevante junto com a luxação.
- Um fragmento impede a cabeça do fêmur de voltar ao acetábulo.
- O quadril continua instável.
- Há uma lesão que precisa de correção direta.
O tipo de procedimento varia conforme o dano encontrado.
Em casos selecionados, técnicas com menor agressão aos tecidos podem ser consideradas dentro do planejamento cirúrgico.
A prioridade é corrigir o problema que está impedindo a articulação de permanecer estável.
Uma prótese de quadril também pode sair do lugar?
Sim.
Na cirurgia de prótese, a articulação passa a funcionar com componentes que substituem as superfícies desgastadas do quadril.
Eles recriam o contato entre o fêmur e a pelve para permitir o movimento, só que esse encaixe pode se deslocar.
A luxação de uma prótese aparece com maior frequência em determinados períodos após a cirurgia, principalmente enquanto músculos e tecidos ao redor ainda estão se recuperando.
Também pode surgir anos depois.
Quando isso acontece bastante tempo após a operação, o ortopedista procura entender se existe desgaste, alteração muscular, mudança no posicionamento dos componentes ou outro fator que comprometa a estabilidade.
Por que uma prótese pode luxar?
Não existe uma única explicação.
A estabilidade de uma prótese depende do posicionamento das peças, da anatomia do paciente, da força muscular e do estado dos tecidos que envolvem a articulação.
Entre os fatores que podem participar, destacam-se:
- Movimentos extremos do quadril;
- Quedas;
- Fraqueza muscular;
- Alterações neurológicas;
- Desgaste de componentes;
- Mudanças na tensão dos tecidos;
- Posicionamento inadequado de uma peça.
O histórico também pesa na avaliação.
Um paciente que teve um único episódio após um movimento fora do comum pode ter uma situação bem diferente de quem apresenta luxações repetidas.
Como perceber que a prótese saiu do lugar?
Em boa parte dos casos, a mudança é súbita.
A pessoa pode sentir um estalo, perceber uma dor forte e perder a capacidade de movimentar a perna normalmente.
Tentar se levantar pode ser muito difícil.
A posição do membro também pode mudar, mas nem sempre a deformidade fica evidente.
Radiografias ajudam a confirmar se a prótese realmente perdeu o encaixe.
Quando necessário, outros exames são utilizados para estudar melhor o posicionamento e investigar por que o episódio aconteceu.
A prótese pode ser recolocada sem outra cirurgia?
Muitas vezes, sim.
No primeiro episódio, é possível tentar uma redução fechada, desde que não exista alguma condição que impeça essa abordagem.
O paciente recebe medicação para controle da dor e relaxamento muscular. Depois, o médico realiza as manobras para reposicionar os componentes.
O passo seguinte é testar a estabilidade do quadril, como também é importante compreender o que levou a prótese a luxar.
Só saber que ela voltou ao lugar não responde se há risco elevado de um novo episódio.
O que pode ajudar a evitar outra luxação?
As orientações dependem do tipo de prótese, do tempo de cirurgia e da causa do deslocamento.
Não faz sentido aplicar a mesma lista de restrições para todos os pacientes.
Em certas situações, o cuidado envolve evitar temporariamente alguns movimentos enquanto os tecidos recuperam força e estabilidade.
Também pode ser necessário trabalhar musculatura e equilíbrio.
Os pontos avaliados são:
- Maneira de sentar e levantar;
- Entrada e saída do carro;
- Amplitude de determinados movimentos;
- força dos músculos do quadril;
- risco de quedas dentro de casa;
- Segurança para retornar às atividades habituais.
A fisioterapia pode fazer parte desse processo, mas o programa deve acompanhar o que foi encontrado na avaliação médica.
Quando uma nova cirurgia da prótese passa a ser considerada?
Uma primeira luxação não significa que a prótese precisará ser trocada.
Muitos pacientes não apresentam novos episódios depois da redução e dos cuidados indicados para recuperação.
A preocupação aumenta quando o quadril começa a sair do lugar repetidamente.
Nessa situação, o objetivo deixa de ser apenas recolocar a prótese. É preciso descobrir por que ela não consegue permanecer estável.
O médico pode investigar:
- Posição dos componentes;
- desgaste das peças;
- Condição dos músculos;
- Estado dos tecidos estabilizadores;
- Alterações no comprimento ou tensão do membro;
- Histórico das luxações.
O que pode ser feito durante uma revisão da prótese?
Depende do problema encontrado.
Às vezes, apenas um componente precisa ser revisto. Em outras situações, o planejamento envolve modificar mais partes da prótese.
Existem também componentes desenvolvidos para oferecer maior estabilidade em pacientes selecionados.
Quando há indicação cirúrgica, técnicas que preservam mais tecidos podem ser utilizadas sempre que forem adequadas ao quadro.
A decisão não é tomada apenas pelo número de vezes que o quadril luxado precisou ser reduzido. O motivo da instabilidade pesa bastante nessa escolha.
O que não fazer quando o quadril parece fora do lugar?
O principal erro é tentar resolver a situação em casa.
É comum imaginar que basta puxar a perna ou fazer algum movimento até sentir um estalo, no entanto, essa tentativa pode transformar uma lesão em um problema maior.
Evite:
- Puxar o membro;
- Pedir para alguém “colocar no lugar”;
- Girar a perna à força;
- Tentar caminhar mesmo com dor intensa;
- Insistir em movimentos para testar a articulação.
O caminho mais seguro é procurar um serviço de emergência.
O paciente precisa ser examinado antes da redução, principalmente porque pode existir uma fratura junto com o deslocamento.
Depois de uma luxação, o quadril volta ao normal?
Não existe uma resposta única.
Uma luxação sem fratura, tratada rapidamente e que permanece estável depois da redução tem uma evolução diferente de um acidente que provocou várias lesões.
O mesmo raciocínio vale para as próteses.
Um episódio isolado não tem o mesmo peso de luxações frequentes, sobretudo quando os exames mostram uma causa mecânica por trás da instabilidade.
Durante o acompanhamento, são observados dor, força, mobilidade e segurança para apoiar o membro.
O retorno às atividades também depende dessas respostas.
Se o paciente continuar sentindo instabilidade, dificuldade para andar ou medo de determinados movimentos, o ideal é buscar a orientação de um ortopedista especialista em lesões e reabilitação do quadril para avaliar o quadro.
Referências e leitura recomendada
Fontes de sociedades médicas e instituições de saúde que embasam as informações deste artigo.
- Hip DislocationAmerican Academy of Orthopaedic Surgeons (OrthoInfo), em inglês
- Total Hip ReplacementAmerican Academy of Orthopaedic Surgeons (OrthoInfo), em inglês
- Revision Total Hip ReplacementAmerican Academy of Orthopaedic Surgeons (OrthoInfo), em inglês
Perguntas frequentes
Luxação do quadril é perigosa?
Pode ser uma lesão importante, especialmente quando surge depois de um trauma forte. Fraturas, lesões de nervos e alterações no suprimento de sangue da cabeça do fêmur podem estar associadas.
Como saber se o quadril realmente saiu do lugar?
Dor intensa, incapacidade para movimentar a perna e mudança na posição do membro são sinais que levantam suspeita. A confirmação é feita por avaliação médica e exames de imagem.
Posso tentar colocar o quadril no lugar?
Não. Puxar ou girar a perna pode piorar uma fratura ou machucar estruturas próximas. A redução precisa ser realizada em ambiente hospitalar.
Quem tem prótese pode sofrer luxação anos depois da cirurgia?
Pode. Nesses casos, é importante investigar desgaste, condição muscular, posicionamento dos componentes e outros fatores que possam ter alterado a estabilidade do quadril.
Toda luxação da prótese exige uma nova operação?
Não. Muitos casos são tratados inicialmente com redução fechada. Uma cirurgia de revisão tende a ser considerada quando a instabilidade se repete ou existe um problema mecânico bem definido.




