A osteonecrose, ou necrose avascular, é a morte de parte do osso da cabeça do fêmur por falta de circulação. Está ligada ao uso prolongado de corticoide, ao álcool e a algumas doenças, e causa dor na virilha ao caminhar. Na fase inicial busca-se preservar o quadril; após o colapso do osso, a prótese costuma ser o tratamento.
O que é a osteonecrose do quadril
A cabeça do fêmur recebe sangue por poucos vasos. Quando essa irrigação é interrompida, uma área do osso deixa de receber nutrientes e morre. No início o formato da cabeça continua normal; com o tempo, a região afetada não aguenta a carga, sofre microfraturas e pode achatar, o que destrói a cartilagem por cima.
Principais fatores de risco
- Uso prolongado ou em doses altas de corticoide
- Consumo excessivo de álcool
- Doença falciforme, lúpus e outras doenças sistêmicas
- Fratura ou luxação do quadril
- Mergulho e trabalho sob pressão, quimioterapia e transplantes
Em parte dos pacientes nenhuma causa é encontrada. A doença atinge com frequência os dois lados, por isso o quadril oposto também é examinado.
Sintomas da necrose da cabeça do fêmur
No começo pode não haver sintoma algum. Quando aparece, a dor fica na virilha, piora com a caminhada e o apoio do peso e pode irradiar para a coxa e a nádega. Com a progressão, surgem dor em repouso, mancar e perda de movimento, como na artrose avançada do quadril.
Diagnóstico e estágios
A ressonância magnética é o exame mais sensível: identifica a osteonecrose antes de qualquer alteração na radiografia e mede o tamanho da área comprometida. A radiografia mostra a evolução e se já houve colapso. O estágio, o tamanho da lesão e a presença de colapso são o que definem o tratamento.
Tratamento da osteonecrose
Antes do colapso
O objetivo é preservar a cabeça do fêmur. Controlar o fator de risco (reduzir o corticoide quando possível, suspender o álcool), aliviar a carga e acompanhar com imagens. Em lesões selecionadas, procedimentos preservadores, como a descompressão do núcleo do osso, podem ser indicados para tentar frear a progressão.
Depois do colapso
Quando a cabeça já perdeu o formato e a articulação está comprometida, a artroplastia total do quadril alivia a dor e devolve a função, com resultados consistentes mesmo em pacientes jovens. O planejamento pode contar com o auxílio da cirurgia robótica para posicionar os componentes.
Cada estágio pede uma conduta diferente, definida pelo Dr. João Lopo, cirurgião de quadril, a partir das imagens e da história do paciente.
Referências e leitura recomendada
Fontes de sociedades médicas e instituições de saúde que embasam as informações desta página.
- Osteonecrosis of the HipAmerican Academy of Orthopaedic Surgeons (OrthoInfo), em inglês
- Osteonecrosis (Avascular Necrosis)National Institutes of Health (NIAMS), em inglês
Perguntas frequentes sobre osteonecrose da cabeça do fêmur
Osteonecrose da cabeça do fêmur tem cura?
O osso que morreu não volta, mas a osteonecrose tem tratamento em todas as fases. Descoberta antes do colapso da cabeça do fêmur, há chance de preservar o quadril com controle dos fatores de risco e procedimentos específicos. Depois do colapso, a prótese resolve a dor e a limitação na grande maioria dos casos.
Corticoide pode causar necrose no quadril?
Sim. O uso prolongado ou em doses altas de corticoide é uma das causas mais conhecidas de osteonecrose da cabeça do fêmur, ao lado do consumo excessivo de álcool. Isso não significa suspender o remédio por conta própria: a decisão sobre dose e duração é feita junto com o médico que prescreveu o tratamento.
Qual exame detecta a osteonecrose no início?
A ressonância magnética é o exame que detecta a osteonecrose no início. Ela mostra a lesão semanas ou meses antes de a radiografia apresentar qualquer alteração e ainda mede o tamanho da área comprometida, informação que define o tratamento. Quem tem fator de risco e dor na virilha deve ser investigado com ela.
Quem tem osteonecrose pode apoiar o peso na perna?
Depende do estágio da doença e da intensidade da dor. Em algumas fases, o ortopedista orienta reduzir a carga com muletas por um período, para proteger o osso enfraquecido e evitar o colapso da cabeça do fêmur. A orientação é individual e revista a cada novo exame de imagem.





