A fratura do colo do fêmur em idosos é uma urgência: a maior parte dos casos é operada em poucos dias, com fixação do osso ou prótese parcial ou total, conforme o desvio da fratura e a condição clínica. Operar cedo e levantar o paciente nos primeiros dias reduz trombose, infecção, perda muscular e perda de independência.
Em pessoas idosas, uma queda pode provocar muito mais do que um simples machucado. Quando existe fratura do colo do fêmur, a dor aparece na região do quadril e pode impedir que a pessoa apoie a perna no chão.
Muitas vezes, o problema é percebido justamente porque o idoso não consegue mais se levantar ou caminhar.
O problema não fica restrito ao osso quebrado. Permanecer vários dias na cama pode favorecer perda de força, complicações respiratórias, trombose, feridas na pele e uma redução rápida da independência.
É justamente por esse conjunto de riscos que o tratamento deve ser organizado com rapidez.
A escolha entre fixar o osso ou substituir parte da articulação por uma prótese depende do tipo de fratura, da idade, das condições clínicas e da vida que a pessoa levava antes da queda.
Por que uma fratura de quadril no idoso exige atenção rápida?
Quando uma pessoa jovem quebra um osso, muitas vezes a preocupação principal está na consolidação da fratura.
No idoso, existe outro ponto importante: impedir que a imobilidade traga novos problemas.
Uma pessoa que caminhava pela própria casa pode passar, de uma hora para outra, a depender de ajuda até mesmo para mudar de posição na cama.
Quanto maior o período sem mobilização, maior pode ser a perda muscular. Também cresce a dificuldade para retomar atividades que antes pareciam simples, como levantar da cadeira ou ir ao banheiro.
Entre os problemas que a equipe procura evitar, destacam-se:
- Perda rápida de massa e força muscular;
- Trombose nas pernas;
- Infecções respiratórias;
- Feridas causadas pela permanência prolongada na mesma posição;
- Piora da autonomia;
- confusão mental em idosos mais frágeis;
- Dificuldade para voltar a andar.
Mesmo quando a cirurgia precisa ser feita rapidamente, existe uma etapa de preparação antes do procedimento.
A equipe avalia o estado geral do paciente, confere a pressão, o funcionamento do coração e dos pulmões, analisa exames de sangue e revisa os medicamentos usados no dia a dia.
Esse cuidado ajuda a reduzir riscos durante a anestesia e a operação.
Fratura do colo do fêmur: quando fixar e quando colocar prótese?
Não existe uma única cirurgia indicada para todos os casos. A decisão começa pelas características da fratura.
Um dos pontos mais importantes é saber se os fragmentos permaneceram próximos de sua posição original ou se houve um deslocamento significativo.
Também entram nessa escolha a idade, a qualidade do osso, o estado da articulação e o nível de atividade que o paciente tinha.
Quando o osso pode ser fixado?
Em determinadas situações, o cirurgião pode preservar a cabeça do fêmur e estabilizar a fratura com parafusos ou outros implantes.
Essa técnica recebe o nome de osteossíntese.
Ela pode ser considerada principalmente quando existe uma configuração de fratura na qual ainda há boa possibilidade de cicatrização e preservação da articulação.
O procedimento busca manter os fragmentos estáveis enquanto o organismo realiza a consolidação.
O acesso cirúrgico pode ser feito com incisões menores em casos selecionados, seguindo conceitos de cirurgia menos invasiva e procurando reduzir o trauma aos tecidos próximos.
Por que algumas fraturas precisam de prótese?
O colo do fêmur está localizado em uma área com características particulares de circulação sanguínea.
Quando a fratura apresenta grande deslocamento, principalmente em idosos, o suprimento de sangue para a cabeça femoral pode ser prejudicado.
Também existe maior risco de a fratura não se consolidar da maneira esperada.
Nessa situação, insistir apenas na fixação nem sempre oferece a melhor chance de recuperação.
A substituição da parte lesionada por uma prótese permite uma articulação mecanicamente mais estável e favorece a mobilização do paciente.
Qual é a diferença entre prótese parcial e prótese total?
Na prótese parcial, apenas a parte do fêmur que participa da articulação é substituída. O encaixe natural do quadril, localizado na pelve, é mantido.
Essa opção pode ser indicada para alguns idosos, levando em conta idade, nível de atividade, condições de saúde e estado da articulação.
Já na prótese total, a substituição envolve os dois lados do quadril. O cirurgião troca a parte femoral e também coloca um componente na região da pelve onde o fêmur se articula.
A artroplastia total pode ser considerada em pacientes mais ativos, independentes antes da queda e com condições para obter benefício funcional desse tipo de reconstrução.
A idade isolada não decide qual prótese será usada.
O médico analisa o conjunto:
- Tipo e deslocamento da fratura.
- Capacidade de caminhar antes da queda.
- Nível de independência.
- Presença de artrose no quadril.
- Condições clínicas.
- Capacidade de participar da reabilitação.
Quanto tempo o idoso pode esperar para operar?
Depois do diagnóstico, o objetivo é realizar a cirurgia sem uma demora desnecessária.
As diretrizes brasileiras recomendam que o tratamento seja feito com a maior brevidade possível quando o paciente estiver clinicamente apto, buscando evitar que o intervalo ultrapasse 48 horas após a fratura.
Esse prazo não significa que uma pessoa com uma condição clínica descompensada deva ser operada sem preparação.
Alguns pacientes chegam ao hospital com anemia importante, alterações cardíacas, infecção, desidratação, problemas de coagulação ou uso de determinados medicamentos.
Nesses casos, a equipe precisa corrigir o que for possível antes da anestesia.
O objetivo é encontrar equilíbrio entre dois pontos: não prolongar a imobilidade sem necessidade e não levar para a cirurgia alguém que ainda necessita de estabilização clínica.
O paciente consegue andar depois da cirurgia?
A recuperação começa mais cedo do que muitas famílias imaginam.
Quando as condições permitem, a equipe procura colocar o paciente sentado, em pé e iniciando passos com apoio ainda nos primeiros dias.
Não significa que ele sairá andando normalmente.
Andador, muletas ou outro dispositivo podem ser necessários no começo. A quantidade de peso permitida sobre a perna também depende da cirurgia realizada.
Em algumas artroplastias, existe possibilidade de apoio mais precoce. Depois de certas osteossínteses, podem existir cuidados específicos determinados pelo padrão da fratura e pela estabilidade obtida durante a operação.
O fisioterapeuta trabalha movimentos, equilíbrio, transferência da cama para a cadeira e retomada progressiva da marcha.
Quanto tempo demora a recuperação?
Não existe um número que sirva para todos os idosos.
Duas pessoas com a mesma radiografia podem evoluir de maneiras bem diferentes.
Um paciente que caminhava diariamente, tinha boa força muscular e era independente antes da queda começa a reabilitação em uma condição diferente daquela de alguém que já precisava de ajuda para andar.
Nas primeiras semanas, a atenção fica voltada para:
- Controle da dor;
- Cicatrização da ferida;
- Prevenção de novas quedas;
- Retomada dos movimentos;
- Fortalecimento;
- Adaptação ao andador ou às muletas;
- Recuperação da segurança para caminhar.
Com o passar das semanas, as metas mudam.
Subir pequenos degraus, caminhar por distâncias maiores, levantar sozinho e retomar algumas atividades domésticas podem fazer parte das etapas seguintes.
A recuperação funcional pode continuar durante meses.
Como dar banho em paciente com fratura de fêmur?
Essa é uma dúvida frequente das famílias depois da alta.
O banho precisa ser adaptado ao grau de segurança que a pessoa apresenta naquele momento.
Não é indicado tentar colocar um idoso recém-operado em pé no chuveiro sem saber se ele consegue sustentar o corpo com segurança.
Nos primeiros dias, algumas pessoas ainda precisam de banho no leito ou de higiene parcial com auxílio.
Quando o banho no banheiro é liberado, alguns cuidados podem ajudar:
- Utilizar cadeira própria para banho;
- Manter o piso seco;
- Instalar barras de apoio quando possível;
- Evitar tapetes soltos;
- Deixar toalha e produtos ao alcance;
- Seguir as orientações sobre o curativo;
- Não deixar a pessoa sozinha se ainda houver instabilidade.
Quem ajuda deve evitar puxar o paciente pelos braços ou tentar levantá-lo de maneira improvisada.
A equipe de fisioterapia ou enfermagem pode ensinar a transferência correta da cama para a cadeira e da cadeira para o banheiro.
Fratura de acetábulo é a mesma coisa?
Não.
Essa diferença é importante porque pode levar o paciente a acreditar que se trata da mesma lesão.
O colo do fêmur pertence à parte superior do osso da coxa. O acetábulo fica na pelve e forma a cavidade onde a cabeça femoral se encaixa.
Uma pessoa pode ter uma fratura acetabular após um trauma, mas localização, mecanismo da lesão e opções de tratamento são diferentes das encontradas na fratura do colo femoral.
Em traumas de maior energia, outras partes do quadril também podem ser afetadas.
A radiografia e, quando indicada, a tomografia ajudam a mostrar exatamente onde o osso foi quebrado.
O que acontece depois que o paciente recebe alta?
Sair do hospital não encerra o tratamento.
É comum ter acompanhamento médico para avaliar a ferida, a posição dos implantes, a evolução da marcha e as condições gerais do paciente.
A fisioterapia também ganha papel importante nessa etapa.
O trabalho pode envolver força de membros inferiores, equilíbrio, coordenação e treino de marcha. O objetivo não é apenas movimentar o quadril.
É preciso recuperar confiança.
Depois de uma queda, alguns idosos ficam com medo de caminhar mesmo quando fisicamente já conseguem. Esse receio pode reduzir as atividades e provocar ainda mais perda de força.
A recuperação deve respeitar o ritmo individual, sem abandonar o estímulo ao movimento seguro.
Como reduzir o risco de uma nova queda?
Uma fratura após uma queda deve acender um alerta sobre o ambiente e sobre a saúde do idoso.
Mudar alguns detalhes dentro de casa pode diminuir bastante os obstáculos do cotidiano.
Vale observar principalmente:
- Tapetes que escorregam;
- Fios atravessando áreas de passagem;
- Iluminação ruim durante a noite;
- Pisos molhados;
- Degraus pouco visíveis;
- Móveis que estreitam corredores;
- Ausência de apoio no banheiro.
Calçados também merecem atenção. Modelos muito frouxos, chinelos sem firmeza ou solados escorregadios dificultam o equilíbrio.
O osso também precisa ser investigado
Uma queda da própria altura capaz de causar uma fratura do quadril pode indicar fragilidade óssea.
Nesse caso, a avaliação de osteoporose é fundamental.
Dependendo do paciente, o médico pode investigar densidade óssea, alimentação, vitamina D, medicamentos em uso e doenças que interferem na resistência do esqueleto.
Tratar apenas a fratura e ignorar a saúde óssea deixa um problema importante sem avaliação.
A cirurgia resolve todo o problema?
A operação corrige uma parte decisiva do problema, contudo, a recuperação não depende apenas dela.
Cirurgia, controle das doenças clínicas, alimentação adequada, fisioterapia, prevenção de novas quedas e participação da família fazem parte do mesmo processo.
O estado funcional anterior à queda também pesa bastante.
Para quem era independente, uma das grandes metas é recuperar o máximo possível dessa autonomia.
Já um idoso que tinha limitações importantes antes da fratura pode precisar de metas diferentes e de mais suporte durante a reabilitação.
A avaliação de um ortopedista com experiência no tratamento do quadril ajuda a definir qual estratégia cirúrgica oferece melhor equilíbrio entre segurança, estabilidade da articulação e possibilidade de recuperar a mobilidade.
Referências e leitura recomendada
Fontes de sociedades médicas e instituições de saúde que embasam as informações deste artigo.
- Hip FracturesAmerican Academy of Orthopaedic Surgeons (OrthoInfo), em inglês
- Broken hipNHS, serviço de saúde do Reino Unido, em inglês
- Total Hip ReplacementAmerican Academy of Orthopaedic Surgeons (OrthoInfo), em inglês
Perguntas frequentes
Fratura do colo do fêmur sempre precisa de cirurgia?
Na população idosa, grande parte dessas fraturas recebe tratamento cirúrgico. A escolha depende do padrão da lesão e das condições clínicas do paciente. Casos sem cirurgia são avaliados individualmente.
Quanto tempo depois da cirurgia o idoso pode levantar?
Muitos pacientes começam a sentar, ficar em pé e treinar a marcha precocemente, conforme liberação da equipe. O tipo de cirurgia e o estado clínico determinam quanto peso poderá ser colocado na perna.
Qual é melhor: parafuso ou prótese?
Não existe uma opção melhor para todos. Fraturas com certas características podem ser fixadas, enquanto lesões deslocadas em idosos frequentemente levam à avaliação de uma prótese parcial ou total.
Fratura do acetábulo e fratura do fêmur são diferentes?
Sim. O acetábulo pertence à pelve e forma a cavidade da articulação. O colo do fêmur fica na parte superior do osso da coxa. As duas lesões exigem avaliações e estratégias próprias.
O idoso consegue voltar a andar normalmente?
Muitos pacientes recuperam a marcha, mas o resultado depende da saúde, da força anterior, do tipo de fratura e da reabilitação. O acompanhamento precoce ajuda a preservar o máximo de independência possível.




