O sinal de Drehmann é positivo quando, ao flexionar o quadril no exame físico, a coxa gira para fora involuntariamente. Indica limitação mecânica da articulação, típica da epifisiólise femoral proximal em adolescentes e de alguns casos de impacto femoroacetabular. O teste levanta a suspeita; a confirmação vem da radiografia e, se preciso, da ressonância.
O sinal de Drehmann é observado durante o exame físico do quadril e ajuda a identificar alterações no movimento da articulação.
Durante o teste, o médico flexiona a perna do paciente. Em determinados casos, a coxa gira para fora e se afasta do centro do corpo sem que a pessoa faça esse movimento de propósito.
Esse comportamento pode levantar a suspeita de alterações estruturais importantes.
Uma delas é a epifisiólise femoral proximal, problema que atinge principalmente adolescentes durante a fase de crescimento.
O achado também pode aparecer quando existe uma limitação mecânica provocada pelo formato do fêmur, como ocorre em alguns casos de impacto femoroacetabular.
O teste ajuda a direcionar a investigação, mas não confirma sozinho a causa da alteração.
Radiografias e outros exames podem ser necessários para entender o que está acontecendo dentro do quadril.
O que é o sinal de Drehmann?
O teste de Drehmann avalia o comportamento do quadril durante a flexão.
Com o paciente deitado, o examinador leva o joelho em direção ao tronco. Durante esse movimento, observa se a coxa permanece alinhada ou se começa a girar para fora.
Quando o sinal de Drehmann está presente, podem aparecer:
- Rotação externa do quadril;
- Abertura da coxa para o lado;
- Dificuldade para manter o joelho alinhado;
- Redução da rotação interna;
- Sensação de bloqueio durante a flexão.
Esse movimento não ocorre porque o paciente deseja abrir a perna.
A própria articulação encontra uma posição diferente para conseguir continuar a flexão com menos restrição.
Esse padrão chama a atenção para alterações da cabeça e do colo do fêmur.
Por que a perna gira para fora durante o teste?
O quadril possui um encaixe formado pela cabeça do fêmur e pelo acetábulo, uma cavidade localizada na pelve.
Esse conjunto precisa permitir movimentos amplos sem que uma estrutura bloqueie a outra.
Quando o formato do quadril muda, o caminho feito pelo fêmur durante a flexão também pode mudar.
A pessoa pode perder parte da rotação interna e encontrar mais facilidade para movimentar a articulação quando a coxa gira para fora.
É justamente essa compensação que pode aparecer durante o teste.
Na epifisiólise, essa mudança ocorre porque a região entre a cabeça e o colo do fêmur perde seu alinhamento habitual.
Já no impacto femoroacetabular, uma alteração óssea pode limitar o movimento quando o quadril é dobrado.
Qual é a relação entre o teste e a epifisiólise?
A epifisiólise proximal do fêmur ocorre na região de crescimento localizada próxima à cabeça femoral.
Ela aparece principalmente durante a adolescência, quando essa área ainda não terminou de amadurecer.
Nesse problema, acontece um deslizamento entre a cabeça do fêmur e o restante do osso, modificando o alinhamento da articulação.
Uma das consequências pode ser a perda progressiva da rotação interna. O adolescente também pode apresentar mudança na maneira de caminhar.
Os sintomas que merecem atenção são:
- Dor na virilha;
- Desconforto no quadril;
- Dor na parte anterior da coxa;
- Dor no joelho;
- Dificuldade para correr;
- Mancar;
- Pé voltado para fora.
A dor nem sempre começa de forma intensa.
Alguns adolescentes mantêm sintomas leves por semanas antes que a causa seja identificada.
Esse é um dos motivos pelos quais uma dor persistente no joelho também pode exigir avaliação do quadril.
O sinal de Drehmann pode indicar impacto femoroacetabular?
Pode.
O impacto femoroacetabular acontece quando determinadas características do formato dos ossos favorecem um contato precoce durante certos movimentos.
Um exemplo é o tipo cam. Nesse caso, pode existir uma saliência na região entre a cabeça e o colo do fêmur.
Durante a flexão, essa parte encontra a borda do acetábulo mais cedo do que deveria, e o quadril pode responder girando a coxa para fora.
Esse movimento permite aumentar a flexão sem encontrar o mesmo ponto de bloqueio.
Uma deformidade residual após uma epifisiólise também pode favorecer esse tipo de contato.
A presença de pouca rotação interna, sozinha, não confirma o impacto femoroacetabular. O diagnóstico é baseado na história dos sintomas, exame físico e imagens.
O que é epifisiólise femoral proximal?
A epifisiólise femoral proximal é uma alteração que afeta a placa de crescimento situada próxima à cabeça do fêmur.
Essa área funciona como uma zona de crescimento do osso durante a infância e adolescência.
Enquanto ainda está aberta, ela possui características diferentes de um osso completamente maduro.
Na epifisiólise, ocorre um deslocamento nessa região. A cabeça do fêmur deixa de manter o mesmo alinhamento com o colo femoral.
A intensidade do problema pode variar bastante.
Existem casos discretos, descobertos ainda no começo, e situações em que o deslocamento já provocou grande perda de movimento.
A epifisiólise pode afetar os dois quadris?
Sim.
Um adolescente pode apresentar a alteração de um lado e desenvolver o problema no outro quadril em outro momento.
Por esse motivo, os dois lados costumam ser avaliados.
Idade, estágio de crescimento e características clínicas ajudam o médico a definir como será o acompanhamento.
Como a linha de Klein ajuda no diagnóstico?
A linha de Klein na epifisiólise é uma referência utilizada na avaliação das radiografias. Ela é traçada ao longo da parte superior do colo do fêmur.
Em condições habituais, essa linha cruza uma pequena região da epífise femoral. Quando existe deslocamento, essa relação pode mudar.
A linha pode tocar uma área menor da epífise ou deixar de atravessá-la. Essa alteração também é conhecida como sinal de Trethowan.
A comparação entre os dois quadris pode ajudar a perceber pequenas diferenças.
Ainda assim, a linha de Klein não deve ser usada como único critério, pois deslizamentos iniciais podem ser discretos e exigir análise de outras incidências radiográficas.
Quais exames confirmam a epifisiólise?
A radiografia é o primeiro exame solicitado quando existe suspeita de epifisiólise.
Ela permite observar o alinhamento do fêmur e procurar sinais de deslocamento.
Na avaliação, o médico pode analisar:
- Cabeça do fêmur;
- Colo femoral;
- Placa de crescimento;
- Linha de Klein;
- Diferença entre os quadris;
- Intensidade da alteração.
A radiografia frontal da pelve mostra os dois quadris ao mesmo tempo, facilitando a comparação entre os lados.
Outra incidência pode ser usada para observar o fêmur em um ângulo diferente, já qie algumas alterações ficam mais visíveis nessa segunda perspectiva.
Todo paciente pode fazer as mesmas posições na radiografia?
Não.
Quando existe suspeita de epifisiólise instável ou dor muito forte, certas posições podem ser evitadas.
Forçar o quadril não é adequado nesses casos.
O exame deve ser realizado de acordo com a condição clínica do paciente.
Quando a ressonância magnética é necessária?
A ressonância não é o primeiro exame em todos os casos.
Ela pode ser útil quando os sintomas sugerem epifisiólise, mas as radiografias ainda não mostram alterações claras.
O exame consegue demonstrar mudanças precoces na placa de crescimento, bem como ajudar em outras situações.
Nos casos de suspeita de impacto femoroacetabular, a ressonância pode avaliar estruturas que não aparecem bem nas radiografias, entre elas:
- Labrum;
- Cartilagem;
- Tendões;
- Estruturas internas da articulação.
O tipo de exame depende da dúvida que surgiu durante a avaliação médica.
Quando a correção é cirúrgica?
A epifisiólise geralmente precisa de tratamento cirúrgico porque existe risco de o deslocamento continuar.
Uma das técnicas mais utilizadas é a fixação in situ.
Nesse procedimento, o cirurgião estabiliza a região para impedir novos movimentos entre a cabeça e o colo do fêmur.
Um parafuso pode ser colocado através de uma pequena incisão.
O objetivo não é forçar uma correção brusca da posição do fêmur, e sim evitar que o problema progrida.
Sempre que a anatomia e o quadro clínico permitem, podem ser utilizadas técnicas com acesso menor e menor agressão aos tecidos.
A escolha depende de vários fatores:
- Estabilidade da epifisiólise.
- Intensidade do deslocamento.
- Idade do paciente.
- Estágio de crescimento.
- Formato do quadril.
- Presença de deformidade residual.
Casos mais complexos podem exigir procedimentos diferentes.
O impacto femoroacetabular também pode precisar de cirurgia?
Nem todo impacto femoroacetabular precisa ser operado. O tratamento depende da intensidade dos sintomas e do quanto a alteração limita a rotina.
Em alguns pacientes, medidas conservadoras conseguem controlar a dor e melhorar a função.
Quando existe uma deformidade óssea importante acompanhada de dor persistente, a cirurgia pode entrar em discussão.
A artroscopia do quadril permite tratar determinadas alterações por pequenas incisões.
Durante o procedimento, o cirurgião pode corrigir saliências ósseas e tratar lesões associadas do labrum.
No entanto, nem todo formato de quadril pode ser tratado pela mesma técnica.
Deformidades maiores exigem planejamento específico.
O tratamento termina depois da cirurgia?
Não necessariamente. Após a estabilização, o quadril continua sendo acompanhado.
O médico observa a cicatrização, o fechamento da placa de crescimento e a recuperação dos movimentos.
Também é importante avaliar o formato que a articulação apresenta depois do tratamento.
Alguns pacientes mantêm uma saliência entre a cabeça e o colo do fêmur.
Se essa alteração provocar impacto, dor ou bloqueio do movimento, pode ser necessário investigar novamente.
Em casos selecionados, procedimentos minimamente invasivos podem ser considerados para tratar a deformidade residual.
A decisão depende dos sintomas e das imagens.
Quando procurar avaliação para dor no quadril durante a adolescência?
Dor persistente durante a adolescência merece atenção quando interfere na caminhada, nos esportes ou nas atividades comuns do dia.
Nem sempre o adolescente aponta exatamente para o quadril. A dor pode ser sentida na coxa ou no joelho.
Alguns sinais que justificam investigação são:
- Adolescente que começou a mancar;
- Pé que fica mais voltado para fora;
- Perda da rotação do quadril;
- Dor ao correr;
- Dificuldade para apoiar a perna;
- Incômodo na virilha;
- Redução progressiva dos movimentos.
Quando existe suspeita de epifisiólise, atividades de impacto devem ser evitadas até a avaliação.
O especialista em quadril analisa a mobilidade da articulação e correlaciona os achados com as radiografias.
Essa avaliação permite diferenciar uma simples limitação de movimento de uma alteração que precisa ser tratada rapidamente.
Referências e leitura recomendada
Fontes de sociedades médicas e instituições de saúde que embasam as informações deste artigo.
- Slipped Capital Femoral Epiphysis (SCFE)American Academy of Orthopaedic Surgeons (OrthoInfo), em inglês
- Femoroacetabular ImpingementAmerican Academy of Orthopaedic Surgeons (OrthoInfo), em inglês
- Hip ArthroscopyAmerican Academy of Orthopaedic Surgeons (OrthoInfo), em inglês
Perguntas frequentes
O que significa sinal de Drehmann positivo?
Significa que a coxa gira involuntariamente para fora durante a flexão do quadril. Esse comportamento sugere uma limitação mecânica da articulação e precisa ser investigado.
O teste de Drehmann confirma a epifisiólise?
Não. O teste aumenta a suspeita, mas o diagnóstico depende dos sintomas, do exame físico completo e dos exames de imagem.
O que significa linha de Klein alterada?
A linha de Klein é observada na radiografia do quadril. Quando deixa de cruzar a epífise como esperado, pode indicar deslocamento relacionado à epifisiólise.
Epifisiólise pode causar dor no joelho?
Sim. A dor originada no quadril pode ser percebida no joelho ou na coxa. Isso pode atrasar o diagnóstico quando o quadril não é examinado.
Toda epifisiólise precisa de cirurgia?
Na maioria dos casos confirmados, a estabilização cirúrgica é indicada para evitar a progressão do deslocamento. A técnica depende da estabilidade e do grau da alteração.



