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Doenças · 10 min de leitura

Dor no trocanter: o que é e quando procurar o ortopedista

Entenda quais estruturas podem provocar incômodo na lateral do quadril e como investigar a dor no trocanter.

Por Dr. João LopoCRM-MG 43878Publicado em 5 de outubro de 2026

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Mulher vista de costas caminhando com bastões em uma trilha de parque

A dor no trocanter surge na lateral do quadril e pode incomodar ao caminhar, subir escadas ou deitar sobre o lado afetado.

Nem sempre a causa está no osso. Bursas e tendões dos músculos glúteos também podem estar envolvidos, principalmente quando há sobrecarga, inflamação ou lesão.

Identificar qual estrutura está causando o incômodo ajuda a direcionar o tratamento e a entender quando exames podem ser necessários.

Onde fica o trocanter e qual é sua função?

O fêmur é o osso longo da coxa. Na extremidade próxima ao quadril existem duas saliências ósseas conhecidas como trocanteres: o maior e o menor.

O trocanter maior fica na região lateral da parte superior do fêmur. É possível perceber aproximadamente sua localização colocando a mão sobre o lado de fora do quadril.

Nesta região se fixam os tendões ligados aos músculos glúteos, que participam do movimento e da estabilidade do quadril.

Eles ajudam a controlar a pelve durante a caminhada e são bastante exigidos quando o peso do corpo fica concentrado em uma das pernas.

E o trocanter menor?

O trocanter menor fica em uma posição mais interna e posterior do fêmur.

Ele também funciona como área de inserção muscular, mas não corresponde ao ponto que geralmente provoca a conhecida dor lateral do quadril.

Quando as pessoas pesquisam por trocanter maior do fêmur, trocanter femoral ou região do trocanter, normalmente estão tentando localizar justamente essa área externa próxima ao quadril.

O que pode causar dor no trocanter?

Existem diferentes motivos para o incômodo nesta região. Em muitos pacientes, mais de uma estrutura pode estar envolvida ao mesmo tempo.

O termo síndrome dolorosa trocantérica maior é usado para reunir algumas das alterações capazes de provocar dor na lateral do quadril.

As causas mais frequentes são:

  • Bursite trocantérica;
  • Tendinopatia dos músculos glúteos;
  • Rotura parcial ou completa do tendão do glúteo médio;
  • Sobrecarga repetitiva da região;
  • Alterações mecânicas durante a marcha;
  • Traumatismos diretos sobre a lateral do quadril.

A localização do sintoma ajuda na investigação, mas não é suficiente para fechar o diagnóstico.

Bursite trocantérica

As bursas são pequenas estruturas que reduzem o atrito entre tecidos próximos. Existem bursas ao redor do trocanter maior que podem ficar irritadas e dolorosas.

Esse quadro recebeu durante muito tempo o nome genérico de bursite trocantérica.

Hoje se sabe que muitos pacientes com dor lateral no quadril apresentam também alterações nos tendões dos músculos glúteos.

O diagnóstico não deve ficar limitado à bursa sem avaliar essas estruturas.

A dor pode aumentar ao deitar sobre o lado afetado, caminhar por períodos maiores ou subir escadas.

Tendinopatia dos glúteos

Os tendões do glúteo médio e do glúteo mínimo se prendem à região do trocanter maior. Eles ajudam a controlar a posição da pelve enquanto a pessoa caminha.

Sobrecarga, alterações degenerativas e repetição de determinados movimentos podem comprometer esses tendões.

A pessoa pode sentir uma dor profunda na lateral do quadril, principalmente ao apoiar o peso em uma única perna.

Ficar muito tempo em pé, caminhar em terrenos inclinados ou cruzar as pernas também pode piorar o desconforto em alguns casos.

Rotura do glúteo médio

O tendão do glúteo médio pode sofrer lesões parciais ou completas.

Algumas se desenvolvem progressivamente, sem que tenha ocorrido uma queda ou outro trauma marcante.

Quando a lesão é mais importante, o quadro pode envolver perda de força.

O paciente pode começar a mancar ou perceber dificuldade para manter a pelve estável ao apoiar o corpo sobre a perna afetada.

Lesões desse tipo merecem investigação específica, pois o tratamento muda conforme o tamanho da rotura, a qualidade do tendão e o grau de limitação.

Como perceber se a dor realmente vem dessa região?

Um sinal frequente é a sensibilidade na parte lateral do quadril, próxima à saliência óssea do trocanter.

Pressionar a área pode provocar dor.

Outras situações que podem desencadear ou intensificar o sintoma são:

  1. Deitar sobre o lado dolorido.
  2. Subir ou descer escadas.
  3. Levantar depois de permanecer sentado.
  4. Caminhar por distâncias maiores.
  5. Permanecer apoiado em uma perna.
  6. Fazer exercícios com carga para quadril e pernas.

Alguns pacientes descrevem a dor descendo pela face lateral da coxa.

Esse padrão não significa necessariamente que exista um problema no nervo ciático. A avaliação clínica ajuda a separar causas que podem produzir sintomas parecidos.

Dor lateral no quadril sempre é bursite?

Não.

Chamar qualquer desconforto nessa área de bursite pode esconder outras alterações.

A tendinopatia glútea é uma possibilidade importante.

Uma rotura do tendão também pode provocar sintomas semelhantes, principalmente quando existe redução de força ou dificuldade para caminhar.

Problemas da própria articulação do quadril podem gerar dor irradiada para a lateral.

Alterações na coluna lombar também entram no diagnóstico diferencial, particularmente quando há dor descendo pela perna, formigamento ou sintomas relacionados aos movimentos da coluna.

O exame médico busca descobrir qual dessas hipóteses combina melhor com a história e os sinais encontrados durante a avaliação.

Quais sinais merecem mais atenção?

Uma dor que apareceu depois de esforço e melhora progressivamente nem sempre representa uma lesão importante.

Existem situações em que vale procurar avaliação com mais brevidade, como:

  • Dor intensa após queda ou trauma;
  • Incapacidade de apoiar o peso na perna;
  • Piora contínua do quadro;
  • Fraqueza perceptível no quadril;
  • Dificuldade crescente para caminhar;
  • Dor que permanece por semanas;
  • Sintomas que interrompem o sono com frequência;
  • Febre acompanhada de dor importante;
  • Vermelhidão ou aumento expressivo do volume da região.

Também é importante investigar quando o incômodo retorna repetidamente mesmo depois de períodos de repouso.

Controlar apenas a crise sem entender sua origem pode fazer o problema reaparecer quando a rotina normal é retomada.

Como o ortopedista diferencia bursite, tendinopatia e rotura?

A consulta começa com perguntas sobre o local exato da dor, quando ela começou e quais movimentos pioram o quadro.

Depois vem o exame físico.

O médico pode observar a marcha, testar a força dos músculos do quadril e verificar quais movimentos reproduzem o sintoma.

A palpação da região do trocanter também fornece informações úteis.

Testes realizados com o paciente apoiado em uma perna podem revelar dificuldades na ação dos músculos glúteos.

Nenhum teste isolado explica todos os casos. O conjunto da história, do exame físico e, quando necessário, dos exames de imagem orienta o diagnóstico.

Que exames podem ser solicitados?

Nem toda dor lateral do quadril exige uma grande sequência de exames.

A escolha depende da duração dos sintomas, da intensidade da dor, do exame físico e da suspeita levantada durante a consulta.

Radiografia

A radiografia permite avaliar os ossos e a articulação do quadril.

Ela não mostra os tendões com detalhes, mas ajuda a pesquisar artrose, alterações do formato ósseo, calcificações e outras condições que podem interferir no diagnóstico.

Ultrassonografia

O ultrassom consegue visualizar tendões e bursas superficiais.

Pode identificar sinais de tendinopatia, líquido em bursas e determinadas roturas.

O resultado precisa ser interpretado junto dos sintomas. Encontrar uma alteração na imagem não significa automaticamente que ela seja responsável pela dor.

Ressonância magnética

A ressonância fornece uma análise mais detalhada dos tecidos moles.

Ela ganha importância quando existe suspeita de lesão do glúteo médio ou do glúteo mínimo, sobretudo nos quadros persistentes ou com perda de força.

Também pode ajudar no planejamento do tratamento quando outras medidas não produziram a evolução esperada.

Como é feito o tratamento?

A maior parte dos quadros não começa com cirurgia.

O tratamento depende do tecido envolvido e das atividades que estão provocando sobrecarga.

Uma orientação comum é ajustar temporariamente os movimentos que comprimem ou exigem demais os tendões da lateral do quadril.

Mas não significa deixar a perna completamente parada.

O objetivo é encontrar uma carga que o tecido consiga tolerar enquanto recupera força e capacidade funcional.

Fisioterapia tem papel importante

O fortalecimento dos músculos do quadril pode melhorar o controle dos movimentos e reduzir a sobrecarga da região.

O programa precisa acompanhar a condição de cada pessoa.

Colocar carga excessiva cedo demais pode aumentar a irritação, assim como permanecer muito tempo sem progredir também pode atrasar a recuperação.

Exercícios para glúteos, controle da pelve e estabilidade dos membros inferiores podem fazer parte do planejamento.

Medicamentos e infiltrações

Analgésicos ou anti-inflamatórios podem ser utilizados em situações selecionadas, sempre considerando as condições clínicas do paciente e a orientação médica.

Em certos quadros, uma infiltração guiada por ultrassom pode ser discutida.

A decisão depende do diagnóstico, pois tratar uma bursa irritada não é a mesma situação que lidar com um tendão rompido.

A avaliação prévia evita que procedimentos sejam utilizados apenas porque existe dor próxima ao trocanter.

Quando a cirurgia entra em consideração?

Cirurgia não é a evolução natural de toda bursite trocantérica ou tendinopatia.

Muitos pacientes melhoram com tratamento não cirúrgico bem conduzido.

A possibilidade de operar passa a ser discutida quando existe uma alteração estrutural relevante ou quando os sintomas permanecem limitantes apesar de um período adequado de tratamento.

Uma rotura do glúteo médio, por exemplo, precisa ser analisada com atenção.

O médico considera pontos como:

  • Extensão da lesão;
  • Perda de força;
  • Retração do tendão;
  • Qualidade muscular;
  • Intensidade da dor;
  • Dificuldade para caminhar;
  • Resposta às medidas anteriores.

Em casos selecionados, o reparo do tendão pode ser realizado por técnicas minimamente invasivas, utilizando pequenas incisões e instrumentos específicos.

Procedimentos endoscópicos também permitem abordar determinadas alterações das bursas e dos tecidos próximos ao trocanter sem recorrer necessariamente a grandes acessos cirúrgicos.

A escolha da técnica não depende apenas do desejo de fazer uma cirurgia menor. O tipo e o estágio da lesão precisam permitir esse caminho.

Quanto tempo é razoável esperar antes de buscar avaliação?

Não existe um número de dias que sirva para todos.

Uma dor leve após uma atividade diferente pode desaparecer com redução temporária da sobrecarga.

Quando o sintoma passa a interferir regularmente no sono, na caminhada ou no exercício, esperar indefinidamente não oferece vantagem.

Também merece avaliação uma dor que melhora e retorna toda vez que a pessoa tenta retomar sua rotina.

Procurar um ortopedista que trabalhe com patologias do quadril permite avaliar não apenas o ponto dolorido, mas a articulação, a musculatura e a forma como a pessoa se movimenta.

Esse cuidado é especialmente útil quando já existe fraqueza, dificuldade para apoiar a perna ou suspeita de lesão tendínea.

É possível evitar que o problema volte?

Depende da causa.

Nos quadros ligados à sobrecarga dos tendões, retomar exercícios de maneira progressiva é uma parte importante do processo.

Mudanças muito bruscas na intensidade do treino podem ultrapassar a capacidade dos tecidos.

Também vale observar fatores como:

  1. Força dos músculos glúteos.
  2. Frequência das atividades.
  3. Quantidade de subidas e descidas.
  4. Períodos prolongados em posições que pressionam a lateral do quadril.
  5. Retorno rápido demais ao exercício depois de uma crise.

O controle da dor é apenas uma etapa.

Recuperar força e tolerância às atividades ajuda a reduzir o risco de permanecer entrando em ciclos de melhora e piora.

Referências e leitura recomendada

Fontes de sociedades médicas e instituições de saúde que embasam as informações deste artigo.

  1. Hip BursitisAmerican Academy of Orthopaedic Surgeons (OrthoInfo), em inglês
  2. Hip pain in adultsNHS, serviço de saúde do Reino Unido, em inglês

Perguntas frequentes

O que é o trocanter?

É uma saliência óssea localizada na parte superior do fêmur. O trocanter maior fica na lateral do quadril e serve de ponto de inserção para tendões importantes dos músculos glúteos.

Bursite trocantérica dói ao dormir de lado?

Pode doer. A pressão do peso corporal sobre a região lateral do quadril frequentemente piora o desconforto e pode fazer a pessoa mudar de posição durante a noite.

A dor no trocanter pode ser causada por tendão rompido?

Sim. Roturas parciais ou completas dos tendões glúteos podem causar dor lateral, fraqueza e dificuldade para caminhar. A ressonância pode ser indicada quando existe essa suspeita.

Toda dor no trocanter precisa de ressonância?

Não. Muitos casos podem ser avaliados inicialmente pela história e pelo exame físico. O ortopedista decide qual exame acrescenta informação realmente útil para cada situação.

Bursite trocantérica precisa de cirurgia?

Na maior parte dos casos, não. Cirurgia fica reservada para situações específicas, principalmente quando há lesões estruturais relevantes ou sintomas persistentes apesar do tratamento adequado.

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